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Agora que Eu Tenho Glaucoma, o que Posso Esperar?


George L. Spaeth
Revisão Técnica: Dr. João F. Lopes, MD

 


“Agora que me disseram que eu tenho glaucoma, o que posso esperar?” Esta pergunta tem de entrar na mente de toda pessoa que tiver acabado de saber que tem glaucoma. Pode ser uma pergunta bastante ameaçadora, que a pessoa nunca se atreveu a formular em voz alta, mas é o tipo de pergunta que a maioria dos médicos teme, pois solicita projeções que são extremamente difíceis de fazer. Ela pede ao oftalmologista que faça o “papel de Deus” e, embora os médicos possam ser respeitados pelo seu conhecimento, em geral sabem que não têm a capacidade de prever o futuro. Não obstante, é a pergunta provável que os pacientes farão, e o oftalmologista deve estar pronto para escutá-la e discuti-la com o paciente.

 

Provavelmente, a primeira coisa que uma pessoa que acaba de saber que tem glaucoma vai fazer é perguntar ao médico o que ele quer dizer com a palavra “glaucoma”. A palavra “glaucoma” ainda é usada de maneiras tão diferentes, e significa tantas coisas diferentes para diferentes pessoas, que a pergunta sobre o que significa para a pessoa ter glaucoma não pode ser realmente discutida até que se chegue a algum acordo sobre o que significa a palavra “glaucoma”.

 

Espere o Inesperado

 

A primeira coisa que o paciente com glaucoma deve esperar é o inesperado. Alguns tipos de glaucoma parecem tão sérios que o médico se preocupa de que a pessoa afetada possa ficar cega. Outros glaucomas parecem bastante brandos, e o médico pode ponderar se ele requer algum tipo de tratamento. Mas o paciente com o que parece ser um glaucoma sério pode responder maravilhosamente ao tratamento e não ter nenhuma perda visual adicional significante, embora a pessoa com um glaucoma aparentemente brando possa terminar com uma incapacidade visual porque o glaucoma, neste caso, se mostra extremamente resistente a todo tipo de tratamento.

 

Isto significa que o indivíduo afetado com glaucoma não pode fazer nenhum plano? Não. Embora coisas inesperadas sejam a rotina, as mudanças que ocorrem na maioria das pessoas com glaucoma, uma vez feito o diagnóstico inicial e iniciado o tratamento, em geral ocorrem lentamente, durante um período de muitos anos. Se o paciente está alerta e o médico está alerta, as diferentes direções que o glaucoma pode seguir podem ser localizadas, permitindo assim projeções novas e mais apropriadas.

 

Por exemplo, o primeiro paciente mencionado acima precisa ser desde o início avisado de que há uma chance razoável de ele vir a perder sua visão devido ao glaucoma. Mas assim que fica claro que a resposta ao tratamento é melhor do que a esperada, uma nova sessão de aconselhamento é necessária para o paciente entender que ele está indo muito bem e que a perspectiva para o seu futuro é bem mais favorável do que foi inicialmente considerada. Do mesmo modo, quando fica claro para o médico que o segundo paciente não está respondendo bem ao tratamento, é essencial compartilhar essa informação com o paciente para que ele tenha uma idéia mais precisa do que pode esperar daí a 20 anos.

 

Permaneça Vigilante

 

Exceto para alguns poucos tipos de glaucoma, a tendência de o glaucoma causar danos continuados permanece com a pessoa durante o resto da sua vida. Por isso, a pessoa não deve pensar que está “curada” e parar sua vigilância. Há uma grande diferença entre ser vigilante e ser hipocondríaco. Ser vigilante significa estar alerta a sinais de advertência e realizar a “manutenção preventiva” apropriada. Cuidar de um carro adequadamente não requer que o proprietário passe uma hora por dia inspecionando o carro. Significa que periodicamente o carro precisa ser checado para se ter certeza de que os sistemas operacionais estão funcionando adequadamente e que, se isso não parece estar acontecendo, eles devem ser checados imediatamente.

 

Os sinais de advertência que devem alertar o paciente para chamar o médico são qualquer tipo de sintomas que faça o paciente pensar se está tudo bem. É claro que o sintoma mais preocupante é qualquer percepção de que a função está de algum modo pior. Estes sintomas incluiriam:

 

  • uma sensação de que é mais difícil circular de um lado para o outro, uma sensação crescente de insegurança
  • perda da percepção de profundidade
  • maior dificuldade para enxergar à noite
    visão enevoada, não corrigida por óculos
  • uma percepção de que há algumas áreas no campo visual da pessoa que estão piorando
  • dor nos olhos, especialmente quando associada a visão esfumaçada ou obscurecida, ou com anéis em volta das luzes
  • dor ou fadiga depois de realizar tarefas de perto ou ao entrar em lugares escuros como restaurantes ou cinemas
  • olhos doloridos, parecendo que há alguma pressão sobre eles, especialmente quando
  • essas dores ocorrem repetidamente
  • halos coloridos em torno de luzes isoladas, como luzes da rua
  • uma precisão oscilante da visão

 

Convém a pessoa periodicamente testar cada olho em separado. Esta necessidade não consome tempo nem é ameaçadora. Uma maneira, por exemplo, é no primeiro dia de cada mês a pessoa checar cada olho individualmente para ver se há uma mudança na percepção do campo visual – isto é, a consciência de todas as coisas que cercam uma pessoa. Se a pessoa usar o mesmo material impresso todas as vezes para checar sua visão, ficará imediatamente aparente se a visão estiver piorando. Se uma pessoa olhar a mesma cena geral, como um determinado quadro no lado mais distante da parede, importantes modificações no campo visual serão facilmente apreciadas nas repetições do teste.

Evidentemente, muitos outros sintomas visuais podem indicar que algo está errado. Como “visão dupla” ou problemas marcantes com o olhar. No entanto, estes sintomas em geral apontam para outras preocupações que não o glaucoma.

 

É também importante estar vigilante com respeito à sua saúde geral. A saúde geral de uma pessoa tem um profundo efeito em seu glaucoma, assim como o glaucoma pode ter um profundo efeito na saúde geral. Mudanças na sensação de bem-estar da pessoa, falta de energia da pessoa, nível de fadiga geral, estresse, e eventos importantes na vida do indivíduo devem ser observados e relatados ao médico.

 

Prepare-se para a Batalha ou Tenha Cuidado com o Tratamento?

 

Olhos que apresentam danos bem avançados têm demonstrado que a doença glaucomatosa da pessoa é do tipo que causa danos. Olhos que não apresentam muitos danos têm demonstrado que têm o tipo de condição em que a probabilidade de ocorrência de danos é muito menor. Então, a pessoa relativamente jovem que experimenta um dano bastante avançado do glaucoma deve estar preparada para uma verdadeira batalha. Por outro lado, a pessoa que realmente está indo muito bem e não está exibindo sinais de deterioração progressiva tem uma maior probabilidade de estar sendo prejudicada pelos métodos usados para prevenir mais danos do que ela experimentaria em decorrência do próprio processo glaucomatoso.

 

Valorize a Sua Própria Avaliação do que Está Sentindo

 

A pessoa com glaucoma tem de entender que o sistema de cuidado médico considerado o melhor baseia-se na ciência, e a ciência baseia-se em medidas não tendenciosas e objetivas que são analisadas de uma maneira não tendenciosa e objetiva. Isto significa que as preocupações dos pacientes, que nunca são objetivas, e são sempre tendenciosas, são sempre consideradas com cepticismo pelo cientista. Mas, na verdade, cada indivíduo é único e diferente de todos os outros indivíduos. O paciente quer que o médico seja científico, objetivo e bem informado, mas deve estar preparado para lutar com médicos que não parecem valorizar o que o paciente sente a respeito de si mesmo. Por exemplo, quando um paciente diz ao médico que está piorando, por definição o paciente está piorando. O médico pode não conseguir encontrar manifestações dessa deterioração, mas isso não significa que não esteja ocorrendo deterioração. Então, o paciente com glaucoma deve prestar muita atenção à sua própria sensação de bem-estar e deve estar preparado para comunicar isso convincentemente ao seu médico.

 

Esteja Preparado para Avaliações Repetidas de Disco Óptico e Campo Visual

 

Os dois testes mais importantes feitos no paciente de glaucoma são a avaliação do disco óptico e do campo visual. Os pacientes precisam estar preparados para fazer testes seriais e repetidos destas duas funções. O paciente também deve estar preparado para a enorme variabilidade existente entre as sessões de teste e não deve concluir que esteja piorando ou que esteja estável, apenas devido a uma aparente mudança em uma fotografia ou em um campo visual. A determinação se um teste realmente representa uma deterioração ou uma melhora é com freqüência uma determinação extraordinariamente difícil e não deve ser feita de maneira leviana pelo médico ou pelo paciente.

 

Esteja Preparado para Fazer Trocas

 

A pessoa que tem um glaucoma grave, em que o nervo óptico já está lesado, deve entender que terá de fazer trocas. Usar colírios é muito incômodo; a visão fica temporariamente obscurecida, não é confortável ter de sair de uma reunião para ir ao banheiro colocar o colírio, é incômodo ter de se certificar de estar sempre com seu colírio à mão etc. Mas se a pessoa tem o tipo de glaucoma que vai piorar, e o glaucoma está sendo controlado com medicações, ou ela vai usar o colírio ou o glaucoma vai piorar.

 

Os dois testes mais importantes realizados no paciente de glaucoma são a avaliação do disco óptico e o campo visual. Os pacientes precisam estar preparados para fazer testes seriais e repetidos destas duas funções. O paciente também deve estar preparado para a enorme quantidade de variabilidade existente entre as sessões de teste e não deve concluir que está piorando ou estável apenas baseado em uma mudança aparente em uma fotografia ou em um campo visual. A determinação se um teste realmente representa uma deterioração ou uma melhora é com freqüência uma determinação extraordinariamente difícil e não deve ser feita de maneira leviana pelo médico ou pelo paciente.

 

Do mesmo modo, quando é feita cirurgia do glaucoma, o olho não volta ao normal. A pressão pode ser controlada pela cirurgia, mas a cirurgia em geral substitui um problema de menos magnitude pelo problema maior de perda da visão. É essencial que o paciente entenda que haverá essas trocas, e cabe ao paciente e ao médico, juntos, decidirem como priorizar os problemas para aumentar a probabilidade de o paciente realizar as coisas de maior importância para ele.

 

 

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