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Entendendo o Papel do Fluxo Sangüíneo no Glaucoma
George L. Spaeth
Revisão Técnica: Dr. João F. Lopes, MD
Todos os médicos, incluindo os especialistas em glaucoma,
procuram descobrir as causas fundamentais da doença de
um indivíduo. Só quando estas causas tiverem sido
identificadas pode ter início o tratamento mais adequado.
Pessoas com glaucoma já sofreram algum tipo de dano tecidual,
freqüentemente do nervo óptico. Mas saber que a causa
do glaucoma é o dano ao nervo óptico não
proporciona ao médico informações suficientes.
Para começar, a terapia efetiva requer conhecer a razão
do dano tecidual, de forma que ele possa ser prevenido ou reduzido.
Dano ao Nervo Óptico
Consideremos em mais detalhes o dano ao nervo óptico.
As questões reais que devem ser respondidas são,
em primeiro lugar, aquelas gerais colocadas aos pesquisadores:
Qual é a natureza exata do dano ao nervo óptico
característico do glaucoma? e O que causa esse dano? Além
disso, o especialista em glaucoma deve tentar responder perguntas
sobre os pacientes individuais: Qual é a natureza exata
do dano ao nervo óptico neste indivíduo? e O quê
especificamente causou esse dano?
É claro que responder às duas primeiras perguntas
é crucial para responder as seguintes, fundamentalmente
mais importantes. Isto significa que a pesquisa é vital
para descobrir o melhor tratamento para indivíduos com
glaucoma.
A história da pesquisa do glaucoma começou cerca
de 150 anos atrás, quando Helmholtz inventou um instrumento
que permitia olhar dentro do olho. Pela primeira vez, os investigadores
puderam ver o interior dos olhos diagnosticados com uma condição
recém-definida, conhecida como “glaucoma”.
O que viram foi que o nervo que vai de trás do olho para
o cérebro, o nervo óptico, estava obviamente danificado.
Especificamente, a superfície do nervo, o chamado “disco
óptico”, tinha uma depressão em forma de tigela.
Duas Teorias do Dano ao Nervo Óptico
Alguns sugeriram que a depressão observada estava relacionada
à pressão do humor aquoso, o fluido no olho que
o mantém firme para poder servir o seu propósito
como um instrumento óptico. Parecia razoável que,
se a pressão do aquoso no interior do olho fosse muito
alta, poderia matar diretamente as células do nervo óptico,
deixando a depressão em forma de tigela agora freqüentemente
referida como “escavação”. Esta teoria
continua a ser a mais popular. E a maioria dos tratamentos para
glaucoma visa de uma maneira ou de outra baixar a pressão
dentro do olho.
Mesmo muito tempo atrás, no entanto, outros investigadores
propuseram que não era a pressão direta do humor
aquoso no nervo óptico que o danificava. Ao contrário,
disseram eles, esta pressão é um problema principalmente
porque comprime os vasos sangüíneos e, dessa forma,
reduzem o fluxo do sangue para o nervo óptico. Com sangue
insuficiente, as células morrem, e quando as células
morrem, elas desaparecem, deixando a característica depressão
em forma de tigela, ou escavação.
O Papel do Fluxo Sangüíneo no Dano ao Nervo
Óptico
Agora, pela primeira vez, a tecnologia está ajudando os
pesquisadores, incluindo aqueles da Glaucoma Service Foundation,
a entender os principais mecanismos pelos quais o nervo óptico
torna-se danificado em pacientes com glaucoma. Este é sem
dúvida um dos campos de investigação mais
instigantes de toda a oftalmologia.
Nos últimos 20 anos, vários investigadores realizaram
estudos extensivos, alguns dos quais indicaram que o espasmo dos
vasos sangüíneos que conduzem o sangue para o nervo
óptico pode ser responsável pelo glaucoma em alguns
pacientes. Alguns indivíduos, como aqueles com enxaqueca,
estão predispostos a este tipo de espasmo. Há alguns
anos já se sabe que os pacientes com enxaqueca são
predispostos a “glaucoma de baixa-tensão”,
ou seja, glaucoma que ocorreu mesmo com a pressão intraocular
normal ou mesmo abaixo do normal.
Outros encontraram outras indicações específicas
de anormalidade do fluxo sangüíneo em alguns pacientes
com glaucoma. Por exemplo, está se tornando aparente que
a pressão sangüínea é um fator importante
na determinação se o dano ao nervo ótico
vai ou não progredir em um olho glaucomatoso.
Mais recentemente, Alon Harris, fisiologista da Universidade
de Indiana e especializado em estudos do fluxo sangüíneo,
trabalhando com um de nossos ex-Fellows, Louis Cantor, e com George
Spaeth e Bob Sergott, chefe do laboratório vascular do
Wills Eye Hospital, usou uma nova tecnologia que permite a visualização
dos vasos sangüíneos no olho. Baseado nesta tecnologia,
Dr. Harris apresentou vários estudos descrevendo alterações
no fluxo sangüíneo no nervo óptico no glaucoma
e, pela primeira vez, relatou diferentes padrões de anormalidade
do fluxo sangüíneo em diferentes tipos de glaucoma.
Os pesquisadores da fundação estão estudando
ativamente este último tópico. No encontro anual
da Association for Research in Vision and Ophthalmology, o encontro
anual mais importante para apresentação de pesquisa
ocular, eles mostraram que baixar a pressão intraocular
através de cirurgia melhorou o fluxo sangüíneo
em alguns pacientes com glaucoma. Em outro artigo, relacionaram
a quantidade de dano ao nervo óptico em pacientes com glaucoma
à quantidade de anormalidade do fluxo sangüíneo.
O Futuro
Embora já saibamos muita coisa sobre o relacionamento
entre o fluxo sangüíneo no olho e o glaucoma, os investigadores
ainda têm um longo caminho a percorrer. Nós e outros
estamos em uma corrida instigante para chegar a um entendimento
abrangente dos vários mecanismos pelos quais o nervo ótico
fica danificado no glaucoma.
Uma vez que estes sejam conhecidos, os médicos estarão
em uma posição bem melhor para ajudar cada paciente.
À medida que este novo conhecimento vai aumentando, veremos
várias alterações interessantes resultando
em importantes melhorias no cuidado do paciente.
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