|
Cirurgia de Catarata e o Paciente de Glaucoma
Jeffrey Henderer, MD
Ken Parker, PhD
Revisão Técnica: Dr. João F. Lopes, MD
A catarata é uma turvação do cristalino,
que tipicamente ocorre como parte do processo normal do envelhecimento.
Como a cirurgia moderna de catarata, em que o cristalino é
removido e substituído por uma lente clara de plástico,
é em geral bastante segura e eficaz, decidir se e quando
fazê-la nos olhos do contrário normais é algo
bastante tranqüilo. Se as imagens e o olhar enevoado causado
pela catarata impedem uma pessoa de fazer o que ela precisa ou
gosta de fazer, a cirurgia é em geral recomendada. Isto
poderia significar que uma pessoa não pode mais ler, dirigir
automóvel, jogar golfe ou fazer trabalhos de agulha delicados
como gostaria de fazer. Outros pacientes se queixam de que a luz
solar reduz drasticamente suas atividades ao ar livre. A mensagem
é que, muito freqüentemente, a decisão da cirurgia
de catarata é conduzida pelos sintomas do paciente, e também
pela interpretação do médico do sucesso provável
do procedimento para resultar na visão melhorada.
A escolha que um paciente de glaucoma enfrenta nesta situação
não é tão tranqüila, dependendo da situação
ocular real de um determinado paciente:
- A quantidade de dano no campo visual e dano no nervo óptico
- O número de medicações para glaucoma
que o paciente está tomando antes da cirurgia
- Se a cirurgia do glaucoma já foi realizada no olho
- A pressão ocular antes da cirurgia
- A tolerância a medicações específicas
para o glaucoma
Basicamente, a pessoa quer realizar a cirurgia de catarata em
um momento e de uma maneira mais provável de melhorar a
visão geral, levando em consideração a natureza
e o estágio do glaucoma e a maneira em que ele está
sendo tratado.
A decisão é então influenciada pelas seguintes
outras considerações gerais:
Primeiro, às vezes a cirurgia de catarata é
mais difícil de realizar em pacientes com glaucoma.
Muitos têm pupilas pequenas que não dilatam bem,
dificultando ao cirurgião de catarata ver o interior do
olho. Estas pupilas pequenas podem ser o resultado do uso de colírios
como pilocarpina durante um longo tempo, procedimentos com laser
ou algum tipo de inflamação.
Alguns glaucomas podem estar associados com o que é conhecido
como síndrome de exfoliação. Isto significa
que seu glaucoma foi causado por depósitos de material
escamoso na frente do olho que bloqueia a drenagem dos olhos,
fazendo com que a pressão intraocular suba e as células
do nervo óptico sejam danificadas. Estas mesmas escamas
podem enfraquecer os “fios” que mantêm o cristalino
no lugar, tornando-o “oscilante” durante a cirurgia.
Como a extração da catarata pode ser mais difícil
no paciente de glaucoma, tanto o paciente como o médico
devem esperar o máximo de tempo possível antes de
remover o cristalino, e esses cristalinos com catarata muito avançada
podem ser mais difíceis de remover.
Segundo, a cirurgia de catarata pode causar problemas
em alguns pacientes de glaucoma.
Por exemplo, continuar algumas medicações de glaucoma,
principalmente pilocarpina, Prolina e Xalatan após a cirurgia
de catarata pode criar problemas.
Terceiro, em pacientes que passaram por uma cirurgia
de glaucoma, a cirurgia subseqüente de catarata pode induzir
uma inflamação que pode fazer com que a cirurgia
de glaucoma perca sua eficácia ou mesmo fracasse.
Quarto, a cirurgia de glaucoma pode piorar uma catarata.
Quinto, a cirurgia de catarata pode reduzir a pressão
do olho.
Entender a situação ocular individual do paciente,
juntamente com estes princípios gerais, pode ajudar o paciente
e o médico decidirem o que tem a maior probabilidade de
produzir o melhor resultado visual: (1) realizar apenas a cirurgia
de catarata, (2) realizar apenas a cirurgia de glaucoma, (3) realizar
uma cirurgia combinada de extração de catarata e
glaucoma.
Se uma catarata está causando mais problemas para
uma pessoa do que o glaucoma, pode ser recomendada apenas
a cirurgia de catarata, na esperança de que a pressão
possa ser bem controlada com as mesmas medicações
que estavam sendo usadas antes da cirurgia. Ou, como foi observado
acima, a cirurgia da catarata em si pode baixar a pressão.
Mas se, mais uma vez como foi observado acima, estão sendo
usados pilocarpina, Propina ou Xalatan, estes podem causar problemas
se forem continuados após a cirurgia, e a cirurgia de glaucoma
pode precisar ser realizada em seguida à extração
da catarata.
Se o glaucoma está causando mais problemas à
pessoa do que a catarata, pode ser recomendada apenas
a cirurgia de glaucoma. Mas, como foi notado acima, em alguns
pacientes a cirurgia do glaucoma pode piorar a catarata, apressando
a necessidade de cirurgia de catarata. E, também como foi
notado acima, a extração de catarata é mais
difícil de ser realizada em pacientes que passaram por
cirurgia de glaucoma e pode reduzir a eficácia dessa cirurgia,
requerendo um retorno às medicações para
baixar a pressão intraocular.
Em alguns pacientes, pode ser melhor realizar uma extração
de catarata ao mesmo tempo que a cirurgia de glaucoma.
Possíveis Benefícios:
Uma cirurgia pode ser bem sucedida tanto no clareamento da perda
da visão central devida à catarata quanto no controle
da perda da visão periférica por conta do glaucoma,
pela redução da pressão intraocular.
O problema de uma possível piora da catarata após
cirurgia apenas de glaucoma é eliminado.
O controle da pressão intraocular é em geral melhor
após um procedimento combinado que após cirurgia
apenas de catarata. Na verdade, os pacientes podem com freqüência
reduzir ou mesmo eliminar a necessidade de medicações
de glaucoma após a cirurgia combinada, assim como após
a cirurgia padrão de glaucoma.
Riscos
Riscos usuais de cirurgia de glaucoma: vazamento ou bolhas infectadas
Pressão intraocular baixa
Sangramento
Edema da retina e da coróide
Cirurgia um pouco mais longa e mais complicada
Resumo
O manejo da catarata no paciente de glaucoma pode ser muito complicado.
A cirurgia de catarata, realizada sozinha ou em combinação
com a cirurgia de glaucoma, pode oferecer benefícios substanciais
aos pacientes, mas também envolve riscos substanciais.
A escolha depende muito da situação do paciente
individual.
|